Mentir ou não, eis a questão

No dia da mentira, a psicóloga Susi Andrade esclarece os motivos e os riscos de mentir

01/04/2013 - 15:04:26

Na França seu nome é “Poisson d’avril”, na Itália “pesce d’aprile” e aqui no Brasil “Dia da Mentira”. Os motivos para contar uma mentira são inúmeros, que vão desde quando a pessoa se sente insegura ou incapaz de lidar com alguma situação ou realidade, e também os casos quando há uma necessidade de se sobressair em alguma ocasião. “Há situações em que o ser humano confunde a mentira com realidade, e acaba enganando a si mesmo”, explica a psicóloga do Hospital e Maternidade São Cristóvão, Susi Andrade.

Antes de esclarecer algumas particularidades sobre a mentira com a ajuda da especialista Susi é importante entender um pouco mais sobre o assunto. Você sabe como surgiu essa comemoração? Pesquisas mostram que a data comemorativa, surgiu na França, quando o rei Carlos IX, mudou a data do Ano Novo, que até então era comemorada de 25 de março a 1º de abril, para o dia 1º de janeiro. Como muitos franceses não concordaram com a nova data, eles resolveram ignorar a mudança e comemorar o Ano Novo em abril. Para reivindicar eles passaram a enviar presentes estranhos ou convites de festas que não existiam para quem aceitou a decisão. E foi assim que o dia 1º de Abril ficou conhecido como o Dia da Mentira. 

No Brasil, comenta-se que o primeiro estado brasileiro a adotar a brincadeira foi Pernambuco, onde uma informação mentirosa foi transmitida, em 1º de abril de 1848, sobre o falecimento de D. Pedro. O fato só foi desmentido no dia seguinte.

Assim como na história, muitas pessoas mentem por diversão, mas até que ponto isso é saudável? De acordo com a especialista para muitas pessoas mentir já se tornou um hábito e um mal necessário, para outras é algo que se deve evitar ao máximo, pois pode afetar diretamente o próximo ou até mesmo tornar-se um vício.  “Existe uma forte questão moral envolvida quando o indivíduo decide mentir, a pessoa sabe que não está falando a verdade, mas não consegue evitar o fato ou reconhecer que mentiu. Isso dependerá muito da formação psicológica e caráter de cada um”, explica a psicóloga. 

Se você é um defensor da mentira “inocente” a profissional esclarece, “Realmente há casos em que a mentira não prejudica de forma agressiva a pessoa ou quem está a sua volta, exemplo disso é quando alguém pergunta se gostamos de alguma coisa em seu visual e com receio de ofender respondemos com uma mentira”.  Mas Susi Andrade orienta que toda mentira tem suas consequências e chances de ser descoberta. A melhor forma de evitar a mentira e sair de uma situação semelhante é falar de forma sutil e polida sua opinião.

Para quem acredita que a mentira tem “perna curta”, a psicóloga explica que existe essa crença, pois a base da mentira é a ficção. Quando a mentira é contada mais de uma vez, existe uma perda de força, pois o contexto é contaminado por fragmentos da verdade ou por outra mentira. Devido a isso a pessoa tem sua história desmoralizada dando espaço para a verdade aparecer.

Quando a mentira é dita por crianças, a especialista do São Cristóvão explica que há vários motivos para tal comportamento, um deles pode ser o medo de serem repreendidos ou receber castigos. É importante verificar também se um dos familiares está apresentando a mesma atitude. “Crianças não têm a personalidade formada ainda e é natural que elas imitem certos comportamentos. Em casos assim o ideal é que haja uma conversa tranquila sobre o assunto, de forma a apontar os males de quem mente muito. Histórias como Pedro e o lobo, Pinóquio podem ilustrar os riscos de mentir”.

Para finalizar, Susi reforça que nos casos em que mentir tornou-se um hábito é preciso que as pessoas mais próximas acompanhem o dia a dia dessa pessoa e identifique se mesmo em situações simples ela altera a realidade em seu suposto benefício. A mentira patológica pode ser identificada através de histórias fantásticas ou por mentiras simples, porém frequentes. Nestes casos o ideal é que a pessoa busque um tratamento psicológico o quanto antes.

Autor: Máquina Comunicação Corporativa Integrada